A Austrália Custa ...


O tempo passa, passa e  esqueço de escrever. Os meus dias preenchem-se de coisas, pessoas e actividades. Passam épocas de exames, boas ondas, dias fantásticos, trabalhos e continuo sem escrever. Que tanto gosto, principalmente quando é para partilhar. Já tinha rascunhos e ideias não faltam. Hoje decidi pôr ordem às notas e apontamentos e voltar a partilhar convosco alguns factos e acontecimentos sobre a Austrália. 

Penso que seja importante partilhar convosco estas experiências. São muitas as pessoas que me pedem conselhos e para aqueles que não estejam interessados em embarcar numa experiência como a minha, penso que é uma vantagem enorme, poder conhecer a realidade doutros países. 

Se estás a pensar em ir de viagem para a Austrália, ou se esse é o teu desejo, quanto mais poupares por cá, mais poderás aproveitar por lá. Na Austrália tudo é caro, principalmente quando estás a viajar. Presumo que a melhor solução para alojamento sejam os hostels. São económicos, não muito confortáveis, mas dá sempre para conheceres outros backpackers que como tu, estão a viajar sozinhos. Caso vás em grupo, a melhor solução é alugar uma Van, onde podes dormir, cozinhar e viajar. O ideal para um grupo são três pessoas. O aluguer de uma van ronda os $70 por dia. Quanto ao hostel, nas grandes cidades (como Sydney ou Melbourne) o mais barato ronda sempre os $20 por noite. 

Poderás estar a pensar em passar uma temporada na Austrália, como eu fiz. Não é difícil encontrares casa ou quartos para partilhar, tens vários websites onde podes iniciar a tua busca (p.ex. gumtree.com). A renda é semanal, porque recebes também o teu salário no final da semana, o tradicional sistema inglês. Consegues encontrar quartos a partilhar a partir de $90. Eu partilhava um quarto/suite, num condomínio em frente à praia e pagava $120 (sem despesas de luz e internet). Caso queiras um quarto  só para ti é difícil encontrares por menos de $180. 

Caso estejas a trabalhar por lá, consegues suportar o custo de vida, se o que estiveres a pensar for apenas viajar, daí o meu conselho inicial, poupa muito por cá. O custo de vida é muito elevado. Vou dar aqui alguns exemplos, para quando chegares o choque não ser tão grande. A fruta que aqui em Portugal é barata e acessível a todos, pela Austrália parece algo exclusivo. Eu chegava a comprar apenas as promoções da semana, mesmo que me apetecesse comer morangos naquele dia, se não estivessem em promoção, não comprava porque podiam chegar a $15/kg. Um limão, que por cá tiras do quintal da vizinha, custava $1. Na altura das cheias cheguei a ver Bananas a $14/kg.Uma garrafa de água engarrafada (0.5l) podia chegar a custar $3. Um Café Latte (equivalente ao nosso Galão) em qualquer café não custa menos de $4. Uma cerveja num bar nunca é menos de $8. Se por acaso pensas em ir jantar fora, no mínimo prepara $20. Facilmente comparável, um simples Big Mac custava $12. No supermercado, o frango e os hamburguers eram sempre o mais barato e muitas vezes a minha opção. Na Gold Coast, os transportes parecem ainda mais baratos que Portugal. Por uma viagem de autocarro o mínimo é $1.10  (estudante), $2 (normal). O problema é que vai aumentado à medida que a viagem se prolonga, as vezes acabas por passar os $5, mesmo com cartão de estudante. Não existem passes ou complicações, quando passas mais de 10 vezes na mesma semana, passas a viajar a custo zero.  

Apesar de a Austrália custar .... foi dos países que mais me marcou e onde adorei viver. Pela equidade entre a população, pela simpatia, pelo estilo de vida e pela abertura que têm ao mundo. Um destino exclusivo mas sempre aberto a todas as culturas.

Nota: A 28/05/2013 1$AUD = 0,74899

    

Está na altura de encerrar 2012 e planear 2013






Será que devo planear 2013? Já tentei e dei por mim cheia de sonhos e ambições, que não consigo limitar. Encontro-me numa fase de transição e de pensamento sobre o meu futuro, onde não consigo planear o que quero fazer nem como quero viver. Assim, talvez 2013 ganhe outra dimensão se  for apenas pensado. Pensar não nos limita o sonho. Permite abertura para a criação de novas ideias. Possibilita abraçar novos desafios e projectos. Evita a construção de expectativas.

Para o começo de um ano, outro teve de chegar ao fim. E assim nos primeiros dias do ano, começo a reflectir sobre o passado e como será o futuro. 2012 foi o ano que começou com a criação do ‘Get to Know’, com um bilhete de ida para a Austrália e um curso de Inglês. Tudo o que fui criando e desenvolvendo nos restantes meses do ano asseguro que não estava planeado e considero um sucesso. Posso dizer que foi um ano onde me orgulhei de ter embarcado numa nova experiência, viver num país, cujo as ligações a Portugal chegaram a efectuar-se com 12 horas de diferença. Tive a companhia de uma grande amiga que me ajudou a superar todas essas dificuldades e, apesar de tão distante, na Austrália sentia-me em casa. Um país que adorei conhecer e onde facilmente me vejo a viver por mais uns meses ou, mesmo, anos. Trabalhei para me sustentar, mas consegui também incorporar a equipa do Marriott International em Surfers Paradise, acrescentado experiência e valor ao meu CV. O visto de permanência na Austrália terminou e tive de abandonar o país. No entanto, começou mais uma incrível fase da minha vida. Uma viagem sozinha pela Oceania e pela Ásia que, recentemente, tiveram a possibilidade de ver em filme ;). 

O percurso de chegada a Portugal foi um misto de sensações. Entusiasmo, nervosismo, saudade e medo. Entusiasmo por saber que iria rever a família e amigos. Nervosismo e ansiedade para  saber como estava o meu país. Saudade dos meus costumes e tradições. E medo, por ser outra Marta, que talvez não se voltasse a identificar com o estilo de vida que tinha antes de embarcar nesta experiência. 

Ter chegado em pleno verão, facilitou a ‘readaptação’ a este cantinho à beira mar plantado, permitindo ganhar energias para encarar novos e antigos projectos. 






Cheguei a tempo de começar a época competitiva do Bodyboard Nacional, a qual contra as minhas expectativas me surpreendeu e superou. Cheguei sem ritmo e com outros objectivos, que depressa foram alterados devido a excelente performance no campeonato mundial em Sintra. Consegui ser  Vice Campeã Nacional e estar a lutar pelo título até aos instantes finais, com a minha amiga, antiga treinadora e companheira de surfadas Catarina Sousa. Apesar de ter abdicado do treino durante a minha viagem, aquilo que cresci e desenvolvi durante as minhas viagens e experiências, permitiu também apurar o meu surf.

Comecei um novo desafio em Inglês, o Mestrado em Gestão no ISCTE (Masters in Business Admnistration), que em parte ocupou o meu tempo no segundo semestre do ano e do qual pretendo retirar o máximo, para planear e estruturar o meu futuro profissional, na área do turismo e da hotelaria, ou quem sabe do surf e do bodyboard.


Certamente, 2013 irá dar continuidade a 2012. Irá acabar um ano de aulas, irei começar a escrever a tese, que ainda não sei onde nem sobre o quê. Por isso, ainda terei muito para pensar e estudar. Voltar a juntar dinheiro e voltar a viajar. Conhecer e dar a conhecer. No bodyboard pretendo evoluir e procurar boas ondas pelo país. Irei iniciar uma época sem o meu principal patrocinador, a Deeply, pelo que não sei o que irei procurar ou desejar a nível competitivo. O tempo o dirá ;)

Bom ano para todos!!  

The Get to Know Movie



Já me encontro há aproximadamente 6 meses em Portugal e tive a oportunidade de partilhar com muitos amigos parte das experiências e aventuras que vivi em 2012 e confesso que o meu entusiasmo nunca acabava. Por isso, decidi aproveitar todas as imagens que tinha recolhido durante as minhas viagens para tornar esta experiência em algo mais do que fotografias e conversas de café. Tentei registar os momentos mais importantes e os locais mais marcantes da minha viagem e mostrar-vos um filme que engloba parte da minha perspectiva sobre a Austrália, Nova Zelândia, Timor Leste, Indonésia e Tailândia.

Conhecer para mim não incorpora apenas o contacto visual, mas sim um contacto pessoal com as mais diversas culturas, crenças e estilos de vida, na busca da minha existência. Durante esta viagem ficaram conversas, pessoas e memórias que preenchem o meu coração e dificilmente serão substituídas. Sem dúvida, foi o Bodyboard que me despertou o interesse por viajar, o interesse de partir à aventura e de conhecer novas culturas, sempre na busca das melhores ondas, mas hoje, viajar é algo que faço pela experiência e riqueza que adquiro.

Quero desta forma inspirar-vos a marcar a próxima viagem, a desafiarem-se e a superarem-se. Aproveito também para vos mostrar um pouco de mim!

Admito que já estou a pensar numa próxima temporada. 


Espero que gostem ;)



Get To Know - by Marta Fernandes from Diogo Soutelo on Vimeo.

Sagres, o refúgio perfeito ... Home Sweet Home =)



É possível fazer férias no Algarve em pleno Agosto longe da confusão característica do sotavento algarvio, onde o calor e o amontoado de pessoas torna a atmosfera pesada, diria mesmo, impossível para quem sofra de claustrofobia. 

Adoro a Costa Vicentina, adoro o sossego, as serras e as praias quase desertas. São muitas as vezes durante o ano que desço a costa em direcção a Sagres. Admito que Outubro, Novembro, Abril ou Maio são os meses onde posso desfrutar das melhores ondas e da calma natural que acolhe este destino. No entanto, apesar de Agosto ser o mês mais movimentado e curiosamente com piores ondas, devido ao forte vento que vem de Norte, é sempre acolhedor e refrescante voltar ao concelho da Vila do Bispo. Só é preciso encarar o facto de deixar o carro mais longe da praia, como um factor a favor da nossa economia e, depois de um dia de “dolce fare niente”, guardar energia para esperar (por vezes mais de meia hora) naqueles restaurantes a que se está habituado a ter sempre uma mesa vaga para jantar. Quem ruma a Sagres fora da época balnear sabe como esta vila nos deixa mal habituados. Para quem apenas vai nesta época, não deixa de ser um destino para voltar. Os bons petiscos de marisco, o bom peixe, os preços acessíveis, as praias limpas e espaçosas, bem como a simpatia dos locais não deixam de estar presentes. O verão, especialmente o mês de Agosto, é sinal de férias para a grande maior parte dos Portugueses e Espanhóis. Sagres e os seus arredores vêem as suas praias invadidas, os restaurantes cheios e as ruas povoadas. Começa a azáfama dos locais para bem receber os turistas, que no fundo gostam deste ritmo louco que lhes permite noites de verão cheias de animação e muita descontracção.

Não escondo que fico orgulhosa por saber que a Praia da Rocha em Portimão ficou em 5º lugar no ranking “Breathtaking”, que elege os locais mais deslumbrantes do mundo, no conceituado website Tripadvisor. Este Ranking é liderado por países como a grécia, as Filipinas e a  Austrália. Mas serei apenas eu que perco a respiração cada vez que desço a praia do Castelejo ou caminho em direcção à Cordoama?! Será que sou a única que sente o intenso aroma das estevas selvagens, apelando à nossa compaixão pela Natureza?! Estranho, a Praia da Rocha nunca me causou essa sensação, aliás em Agosto agonia-me. Eu sei que tudo é relativo, mas de facto a Costa Vicentina deixa-me muito mal habituada. 







Decidi escrever sobre esta viagem para dar a conhecer ou simplesmente vos relembrar a beleza natural e também fazer um roteiro gastronómico. Para aqueles que não conhecem as especialidades e os principais restaurantes da zona, algumas dicas são sempre úteis. O facto de ter estado a estagiar nesta zona durante o verão de 2010, fez com que descobrisse mais petiscos e especialidades da zona, mas confesso que todos os anos acabo por conhecer novos sítios. Este ano não foi excepção. 

O primeiro almoço estava marcado para o restaurante A escola na Comporta. Para quem não tem pressa para chegar, aconselho a sair da auto estrada em Alcácer do Sal e parar para almoçar neste simpático restaurante que está inserido numa antiga escola Primária. Os apreciadores de bom vinho, contam com uma carta fantástica, maioritariamente de vinhos alentejanos. Para prato principal recomendo a empada de coelho bravo com arroz de pinhões. Tive oportunidade de experimentar mais pratos, que confesso serem também uma delícia. A grande parte das outras iguarias que compõem o menu têm na sua base a  rica gastronomia alentejana. Para acompanhar o café não pode haver dietas, os doces são todos caseiros e de pôr água na boca, não se esqueçam é sempre uma fonte de energia para o resto da viagem. O preço médio é na volta de 20€/25€ por pessoa, incluindo bebida e sobremesa. 


Já no destino, há restaurantes para todo o tipo de gostos e feitios. Vou destacar os que não se podem perder, em relação Preço/Qualidade. Uma semana em Sagres permite apreciar a qualidade gastronómica e ficar com vontade para voltar e experimentar o que não foi possível. Na vila do Bispo onde se podem encontrar as melhores praias em Agosto, como o Castelejo ou a Cordoama, é onde se pode também encontrar alguns dos melhores restaurantes da zona. Para quem vem da praia e anseia por uma cerveja bem fresquinha e uns petiscos, o restaurante Ribeira do Poço está no topo da minha lista. Fica na rua principal e é caracterizado por um ambiente rústico, ligado ao mar. O peixe fresco é sempre uma boa escolha, mas na minha opinião, não se podem perder as lapas ou os mexilhões em cebolada. Estando na Vila do Bispo, optar por Perceves é sempre uma boa escolha. A apanha de perceve é uma tradição que está enraizada na vila e que passa de geração em geração, por isso, é garantido encontrar perceves frescos em qualquer dos restaurantes da zona.

A Tasca do Careca já é um clássico e faz parte da lista de quase todos os que rumam até à Vila do Bispo. Tal como o nome indica, é uma tasca, onde se come farto e por pouco. Os meus pratos de eleição são as lulas recheadas e o entrecosto. Garanto: ninguém sai de lá com fome e sem fazer um esforço para finalizar a dose. No entanto, há sempre que tentar guardar espaço para comer a Tarte de Alfarroba como sobremesa. 

Sobre a Pizzaria da aldeia da Pedralva, a Pizza Pazza pouco tenho a dizer, qualquer uma das pizzas que escolham são divinais e a pequena aldeia, agora transformada em alojamento turístico, é encantadora. Deixo-vos um conselho, nos meses de verão evita-se, perde a magia. Aconselho a Pizzaria Guloso na Raposeira, cujos cozinheiros são antigos trabalhadores da Pizza Pazza. Foi sem dúvida uma agradável surpresa. 



Não escondo que já estou ansiosa por voltar a este concelho o mais depressa possível =)  ... 

A Malásia: Kuala Lumpur & Melaka



Depois de três anos a parar no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, este ano decidi tirar uns dias para visitar a cidade. Na verdade o meu interesse pelo Sudoeste Asiático é enorme, digo mesmo, crescente e a Malásia já fazia parte dos meus planos há algum tempo. Escolhi um hostel no centro da cidade para que me permitisse deslocar facilmente, no entanto ainda não tinha nada planeado. Aproveito para vos recomendar, caso queiram ir até Kuala Lumpur, o POD’s The Backpackers Home, a um preço acessível, com localização perfeita, os principais transportes a uma distância de 2 minutos e uma atmosfera super acolhedora. De facto, uma boa escolha. Quanto ao meu roteiro, queria ir até às famosas torres Petronas, sede da maior companhia petrolífera do sudoeste asiático, mas pouco mais sabia sobre Kuala Lumpur. Foi altura de aproveitar o voo de Bangkok para folhear o Lonely Planet e planear os meus dias. Aí percebi que apesar de capital, Kuala Lumpur é também uma das cidades mais civilizadas e desenvolvidas do sudoeste asiático que tem muito para mostrar, principalmente devido à influência das diferentes comunidades Hindu, Muçulmana e Cristã, que convivem naturalmente partilhando costumes e tradições de forma harmoniosa. Toda esta saudável mistura, faz com que a cidade, seja caracterizada por diferentes zonas. O meu percurso começou a ganhar forma e, bem à minha maneira, tinha de ter tempo para fazer tudo, incluindo ir até Melaka, a antiga Malacca dos Portugueses no século XVI, antes da invasão holandesa.

Para percorrer a metrópole os meios de transporte públicos são eficazes, baratos e sempre pontuais. Comecei a ficar surpreendida com todo este desenvolvimento e eficiência. Como é possível pensarem, os malaios, que lá na Europa a qualidade dos transportes públicos está num outro nível. Na verdade, nunca andei num comboio tão limpo aqui em Portugal ou mesmo me desloquei tão facilmente numa capital, necessitando apenas de um meio de transporte. De Kuala Lumpur Sentral, onde estava alojada, a uma caminhada de não mais que 5 minutos encontrei-me no bairro de Little India, onde se reúne a grande maior parte da comunidade Hindu, com todos os odores e cores característicos. O facto de estar em atmosfera Hindu, despertou-me o interesse de partir até aos arredores em busca das Batu Caves. O maior templo hindu da Malásia que recebe milhares de peregrinos, que todos os anos migram até à capital. Comecei a sentir a simplicidade do povo malaio e a sua simpatia. Tal como o turismo da Malásia promove, a hospitalidade é um dos pontos fortes deste povo. A melhor altura para ir ao centro cosmopolita onde estão as famosas Torres Petronas e os megalómanos centros comercias é pela noite, onde as luzes se acendem e todas as ruas ganham uma dinâmica fora do comum. Incrível ver o rápido desenvolvimento e poder económico do sudoeste Asiático por Bukit Bintang, uma das zonas mais movimentadas e agitadas da noite malaia. 


Depois de vistas as principais artérias e pontos de interesse da cidade, e surpreendida, optei por ir até à velha Melaka. O antigo porto Português, que devido à sua posição estratégica, permitia ver os barcos que passavam no caminho para a Índia. Melaka fica a três horas de Kuala Lumpur, através de autocarro e é património mundial da UNESCO. Orgulhosa por voltar a estar num local que evoca origens portuguesas, perdi-me a passear pelos mais famosos testemunhos, que mostram as memórias das aulas de história, a Porta de Santiago e a St. Pauls Church. Incrível como até a nível gastronómico os portugueses deixaram a sua marca, ainda hoje visível, principalmente no bairro Medan Portugis. Para além do testemunho deixado pelos portugueses, a cidade tem os traços arquitectónicos deixados posteriormente pelos holandeses e pelos britânicos, tornando-a muito Europeia. Tem um ambiente acolhedor, descontraído e, acima de tudo, muito agradável, onde os seus habitantes não descuram todo o esplendor da história que os caracteriza e recebem alegremente os turistas que passeiam pelas ruas oferecendo os seus serviços, como a caso dos característicos Tri Shaw, uma espécie de tuk tuk bicicleta, cheio de decoração, que segundo os seus proprietários é feita com muita dedicação. O calor era muito e a caminho da ChinaTown parei para beber um chá fresco junto ao rio e provar a deliciosa sobremesa, característica de Melaka. Adorei este conceito e senti que devia ficar a ler por uns minutos, aproveitando o facto de estar quase a voltar à boa azáfama do verão em Portugal. A ChinaTown é obrigatória e a mim surpreendeu-me pela quantidade de lojas de antiguidades e velharias, compostas por materiais maioritariamente indo-china (segundo o meu pai), cruzadas com harmoniosos restaurantes e bares, que tornam as ruas únicas. Admito que não estava à espera deste conceito original pelo sudoeste asiático. Curiosa como sou, fiquei até ao mercado que se estende pela noite fora e claro acabei por perder o autocarro de volta a Kuala Lumpur. Tudo se resolveu e acabei a dividir um táxi com três malaios. Houve conversa para as 3 horas de viagem, no qual todos estavam muito surpresos por eu, mulher, andar a viajar sozinha. Contente disse: Viajei e nunca me senti sozinha. Estou de volta cheia de experiências, cultura e novas amizades. Acreditem que acabo por me sentir mais sozinha em Portugal. Quem diria?! 

Tive pouco tempo pela Malásia, mas um dia irei voltar para explorar as suas maravilhosas ilhas. Este foi o último destino de dois meses a viajar. Agora espero sugestões e conselhos para novos destinos, assim como tempo para poder voltar  a ter dinheiro. Porque viajar, tenho a certeza que não vou parar!







Bangkok & Ayutthaya, a última paragem



Tardei em publicar o último capítulo sobre a Tailândia. Faz praticamente uma semana que estou de volta a Portugal e o tempo simplesmente passou. Família, amigos, praia, ondas, noites divertidas, reencontros e despedidas. Hoje foi o dia para parar e passar a limpo os esboços sobre a capital da Tailândia e os seus arredores. 

Como todas as capitais do sudoeste asiático, Bangkok é a cidade mais populosa da Tailândia e o principal hub para os turistas que pretendem conhecer o país, o que pode ser entendido como a cidade que tem os melhores esquemas para ajudar ou enganar os turistas. Caos, trânsito, comércio informal, luzes e o barulho consequente caracterizam esta cidade. Quem conhece o sudoeste asiático já está habituado às suas grandes metrópoles e a todos estes fenómenos. Esta capital é capaz de ser a mais conhecida por nós Ocidentais por diversas razões. Serve de base a inúmeros filmes. Os seus famosos canais são conhecidos internacionalmente e há até quem diga que é a Veneza do Oriente. Ou mesmo pelo à vontade que lida com a indústria do sexo e que serve de base a muitos documentários. Poderia continuar a escrever o que me levou até Bangkok e que penso estar na base de muitos daqueles que decidem aventurar-se nesta cidade, mas prefiro escrever sobre aquilo que visitei e que, definitivamente, contribuiu para formar a minha opinião sobre a cidade.
No total foram três dias de ambiente cosmopolita envolvidos em travessias de comboio, tuk tuk (bem negociados), barcos, taxis e autocarros, onde todos os serviços, especialmente se pedirmos taxímetro demoram mais 30 minutos do que o suposto. Nesta grande metrópole o que mais incomoda são os esquemas engendrados para conseguir tirar mais uns bahts aos turistas, que sendo ocidentais é sinal obrigatório de dinheiro. 
A área Ko Ratanokosin é a zona real. Composta por diversos templos budistas conectados à família real, assim como pelo Palácio Real e os seus jardins. A imponência da arquitectura tailandesa com base no ouro e na religião budista, é aqui exposta, com todo o esplendor, mostrando a importância da realeza neste país. Dirijo-me para sul e aproveito para ver o maior buda reclinado em ouro, no templo de Wat Pho. Este templo detém um enorme complexo onde está instalada a mais famosa escola de massagens tailandesas em bangkok, a  Wat Pho Massage School. Aqui pode-se receber a original massagem tailandesa com bastante profissionalismo. Apesar de relativamente mais caro, é um investimento que faz sentido. Principalmente depois de uma noite dormida no comboio!! Ao entardecer é obrigatório o passeio de barco pelos longos canais de bangkok e parar para uma fresca cerveja nos famosos telhados dos hotéis, que estão transformados em bares. Resolvi ir até ao Banyoke Hotel, o mais alto edifício em Bangkok. Aqui é como subir a uma outra realidade onde nos podemos alhear do constante ruído e observar toda o área moderna e centro financeiro sobre um outro ponto de vista. Para jantar terminei sempre perto do hostel onde estava alojada, uma vez que estava num dos maiores centros de actividade nocturna, a famosa Kho San road, conhecida como o ghetto dos backpackers. Preenchida por uma atmosfera hippie e super descontraída. Não consegui ser corajosa o suficiente para me aventurar na red zone, ou mesmo, ir até aos famosos shows de “ping pong”, mas de facto é uma experiência que, não duvido, caracterize a cultura tailandesa. Bangkok continua a não ser o sítio  ideal para os “shopaholics” terem uma pausa. As ruas estão repletas dos iguais bens que se vê por todo o país, a preços bastante competitivos, o que volta a estimular a compra. É inevitável, não há quem resista aos lindos tecidos, à bijuteria e aos artigos de decoração. E depois de ter estado vinte dias na Tailândia, definitivamente, Bangkok é um bom sítio para dar uso aos últimos bahts!!! 





No último dia tive de optar entre o famoso mercado flutuante e a  histórica cidade de Ayutthaya, Património Mundial da UNESCO. Dois ícones que considero obrigatórios para quem visita Bangkok. Admito que foi uma escolha difícil, mas optei pela antiga cidade de Ayutthaya, que fica a aproximadamente duas horas de autocarro. Sem dúvida, a escolha ideal para fugir ao caos e confusão do centro da cidade. Ayuthaya é uma cidade que se envolve nas ruínas de edifícios que remontam o ano 1350 e que foram destruidos pelos birmaneses no século XVIII. Ruínas de torres relicários e mosteiros. Os parques e mosteiros são diversos e estão espalhados pela cidade, pelo que a melhor maneira de percorrer estes preciosos vestígios dos nossos antepassados é alugar um tuk tuk para o dia inteiro ou uma bicicleta em qualquer guest house. Optei pelo tuk tuk, pelo tempo reduzido que tinha, embora a bicicleta me tenha parecido uma excelente opção. 




E este é o último capítulo da minha aventura pela Tailândia. Espero que tenham gostado. Se quiserem saber mais pormenores, não hesitem em perguntar ;). Há muito mais detalhes!! 

Chiang Mai & Chiang Rai, Northern Thailand



Chiang Mai fica situado no norte da Tailândia entre montanhas acentuadas e é está repleta de paisagens naturais e atractivos culturais. O acesso, sem ser por avião, faz-se principalmente através de Bangkok via autocarro ou comboio e todo o trajecto demora cerca de 12horas. Vinda de Ko Phi Phi, que fica no extremo sudoeste da Tailândia, resolvi apanhar o comboio até Bangkok durante a noite, assim por cerca de 700Baht (cerca de  18€) pude fazer a viagem em segunda classe, confortavelmente a dormir. Para não perder mais um dia de viagem, acabei por ficar esse mesmo dia em Bangkok e aproveitar para explorar uma das capitais “mecca” do sudoeste asiático. No entanto, voltarei a falar sobre Bangkok num outro texto apenas dedicado à cidade e seus arredores. Depois de outra noite passada no comboio chego a Chiang Mai, a cidade que outrora foi amuralhada. Definitivamente chego ao sítio que tanto idealizava na Tailândia, cheio de pessoas amigáveis e prontas a ajudar. O retiro ideal para relaxar, recuperar energias e fugir dos roteiros programados às famosas praias do sul em aventuras radicais na selva. 








Depois de horas e horas de viagem, assim que cheguei foi tempo de recarregar baterias e aproveitar as maravilhosas massagens tailandesas (Thai Massage), que aqui facilmente se encontra uma hora por apenas 150 Baht (cerca de 4€). A este preço, admito que me tornei uma verdadeira fã, de facto há que aproveitar, em Portugal por uma hora pagava no mínimo 50€ e não usufruía da verdadeira técnica. Energia ao máximo, foi tempo de embarcar na aventura mais autêntica e radical que tive oportunidade de fazer  na Tailândia. Trekking em plena selva durante 3 horas com o intuito de chegar à aldeia onde pernoitei com a tribo local, Haogookkup Lahuvillage, conhecida entre os viajantes por uma comunidade Hill Tribe Village. Uma aldeia completamente isolada formada por pequenas casas feitas de bambu,  no cimo da montanha, onde a paisagem fez com que me esquecesse das 3 horas passadas na selva a transpirar e debaixo de uma enorme tempestade. A isto chamo uma experiência autêntica. Conviver com a comunidade local a jantar à luz das velas, uma vez que não havia electricidade, tornou toda a atmosfera muito mais natural e acolhedora. Deixou-me encantada. Claro que no dia seguinte foi dia para descer ao mundo real. Cascatas, rafting, passeios de elefante e  poder estar ao lado de tigres, fizeram com que a minha experiência na Tailândia começasse a ser inolvidável. 


De volta à cidade tive de investigar os principais templos e mercados. Aprofundar conhecimentos sobre o Budhismo e a cultura tailandesa com simpáticos monges que estiveram disponíveis a trocar conhecimentos connosco ocidentais. Chiang Mai é também famosa pelos seus populares mercados de artesanato e produtos locais. Todos os dias, o Night Bazaar e em pleno sábado e domingo o Street Walking Night Bazar em diferentes pontos da cidade. Para ser sincera, uma verdadeira perdição. Para mim, quer seja em termos de bens materiais, como em termos de comida. Onde tudo, mas tudo tem que ser negociado. Perco-me nos sumos naturais a apenas 20Baht (cerca de 0.50€), na comida tradicional tailandesa como por exemplo a famosa Pad Thai ou mesmo nas deliciosas panquecas com banana e nutela. Por isso, curiosa como sou, resolvi fazer um curso de cozinha com base na gastronomia tailandesa. Curry, alho, gengibre e muito chili são as bases. Parece-me que vou chegar a casa cheia de novas receitas e ideias para pôr em prática. 

Estando no Norte há que escapar até Chiang Rai e poder contemplar o mais recente exemplo de arquitectura e arte moderna tailandesa "The White Temple" e a fronteira da Tailândia com o Laos e o Myanmar, o tão famoso Golden Triangle, que há cerca de trinta anos continha as maiores plantações de ópio do sudoeste Asiático.





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